Debate sobre tarifa por horário reacende discussão sobre impactos na geração solar residencial

Especialistas analisam proposta de cobrança por horários no consumo de energia e apontam possíveis efeitos para consumidores e sistemas de geração distribuída.

Debate sobre tarifa por horário reacende discussão sobre impactos na geração solar residencial
Notícia 05/03/2026 • Brasil

A proposta de ampliação do modelo de tarifa por horário para consumidores de maior consumo voltou ao centro das discussões do setor elétrico brasileiro. O tema ganhou destaque com o encerramento próximo do prazo para contribuições em uma consulta pública conduzida pela agência reguladora do setor elétrico.

Especialistas do setor se reuniram em um debate para analisar os possíveis efeitos da medida, que prevê a adoção obrigatória desse tipo de tarifação para consumidores que utilizam volumes elevados de energia elétrica mensalmente.

A ideia por trás do modelo é cobrar valores diferentes conforme o horário de consumo. Nos períodos de maior demanda, conhecidos como horários de pico, a tarifa tende a ser mais elevada. Já em momentos de menor utilização da rede, o custo da energia costuma ser reduzido.

Apesar de o sistema existir no país desde 2018, a adesão ainda é extremamente baixa. Estima-se que apenas uma pequena parcela dos consumidores que poderiam utilizar essa modalidade tenha optado por ela. Entre os fatores apontados para essa baixa adoção estão a falta de divulgação e a dificuldade de compreensão do modelo por parte do público.

Especialistas afirmam que o principal desafio não está apenas na tecnologia, mas na comunicação. Muitos consumidores ainda desconhecem o funcionamento da tarifação por horário ou não entendem como adaptar seus hábitos de consumo para aproveitar possíveis benefícios.

Outro ponto discutido foi a capacidade do consumidor de modificar seus padrões de uso de energia. Equipamentos domésticos, sistemas de climatização e eletrodomésticos poderiam ser utilizados em horários mais baratos, reduzindo custos e ajudando a equilibrar a demanda do sistema elétrico.

Para especialistas, a adoção gradual da medida pode servir como um período de aprendizado tanto para consumidores quanto para o próprio setor energético. A expectativa é que essa fase inicial permita avaliar o comportamento dos usuários antes de ampliar a obrigatoriedade para outras faixas de consumo no futuro.

O avanço dessa proposta também abre espaço para novas oportunidades de negócios. Empresas especializadas em gestão de consumo energético, automação residencial e monitoramento de energia podem ganhar relevância, oferecendo soluções capazes de ajustar automaticamente o uso de eletricidade dentro das residências.

No entanto, um dos pontos mais sensíveis envolve os consumidores que já utilizam sistemas de geração solar residencial. Como o modelo atual de compensação energética considera basicamente o volume de energia gerado e consumido, a introdução de tarifas por horário pode alterar a forma como esses créditos são valorizados.

Isso ocorre porque a energia produzida durante o dia pode ter valor diferente daquela consumida durante o período noturno, criando desafios para o modelo de compensação atualmente utilizado.

Especialistas destacam que a regulamentação precisará evoluir para garantir segurança jurídica e evitar conflitos com regras já estabelecidas para consumidores que investiram em geração própria de energia.

Além disso, tecnologias como baterias e sistemas inteligentes de gerenciamento de energia podem se tornar peças importantes nesse novo cenário. Esses equipamentos permitem armazenar energia produzida durante o dia e utilizá-la justamente nos horários em que a tarifa é mais elevada.

Ao final do debate, os especialistas reforçaram que a modernização do setor elétrico exige mudanças na forma como a energia é consumida e gerenciada. No entanto, ressaltaram que transparência regulatória, informação ao consumidor e incentivos tecnológicos serão fundamentais para que a transição ocorra de maneira equilibrada.
 

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