Tarifa Branca transforma consumidor em peça-chave da energia
Novo modelo tarifário e geração distribuída colocam o consumidor no centro da gestão energética.
Levantamento da Volt Robotics aponta que 20,6% da geração solar e eólica disponível não foi aproveitada, revelando gargalos estruturais no sistema elétrico.
O Brasil deixou de aproveitar 20,6% de toda a energia solar e eólica disponível ao longo de 2025, segundo estudo da Volt Robotics. O dado evidencia um gargalo crescente do setor elétrico: a dificuldade do sistema em absorver, com eficiência, a rápida expansão das fontes renováveis.
Em termos econômicos, a energia não utilizada representou perda superior a R$ 6 bilhões. O impacto vai além do prejuízo direto, afetando a previsibilidade dos projetos, pressionando receitas de geradores e elevando a percepção de risco para novos investimentos em energia limpa.
O problema se intensificou entre agosto e outubro, período marcado por três recordes consecutivos de cortes de geração prática conhecida como curtailment. Nesse intervalo, a combinação de oferta elevada, limitações na transmissão e restrições operativas levou ao desligamento forçado de usinas mesmo com recursos naturais abundantes.
O pico ocorreu em outubro, quando o volume médio de energia cortada atingiu cerca de 8.000 MW médios. Em novembro, os cortes recuaram para aproximadamente 4.600 MW médios, com impacto financeiro estimado em R$ 700 milhões, abaixo dos R$ 1,1 bilhão registrados no mês anterior. Em dezembro, a redução se acentuou, chegando a cerca de 1.700 MW médios.
Apesar do alívio no fim do ano, a melhora foi conjuntural. A redução está associada ao fim da safra dos ventos e à diminuição natural da geração eólica, e não a avanços estruturais na capacidade do sistema.
Os cortes concentraram-se principalmente no Rio Grande do Norte, Ceará e Minas Gerais, estados com forte presença de usinas renováveis. Em novembro, 72% da energia cortada veio de usinas eólicas, enquanto 28% foram solares.
O estudo também identificou 16 dias críticos em 2025, nos quais mais de 80% da geração renovável disponível foi cortada nas horas centrais do dia, especialmente aos domingos pela manhã, quando o consumo é baixo e a oferta renovável permanece elevada.
Mesmo com cortes totais da geração centralizada sob controle do Operador Nacional do Sistema Elétrico, ainda pode ocorrer excesso de energia devido à geração distribuída solar.
Diante do cenário, a Agência Nacional de Energia Elétrica e o ONS aprovaram um plano emergencial com medidas extraordinárias, incluindo a possibilidade de cortes em situações extremas e avaliação do uso automático da tarifa branca como instrumento de segurança sistêmica.
O relatório também destaca o papel do consumidor como parte da solução, ao deslocar consumos flexíveis como aquecimento de água, máquinas de lavar e recarga de veículos elétricos para manhãs e fins de semana, períodos de maior sobra de energia renovável.
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