China deve concentrar um terço das exportações globais de energia limpa até 2050

Estudo projeta superávit comercial chinês em produtos energéticos enquanto combustíveis fósseis entram em declínio estrutural.

China deve concentrar um terço das exportações globais de energia limpa até 2050
Notícia 17/02/2026 • Global - Internacional

A China tende a assumir posição dominante no comércio internacional de tecnologias limpas nas próximas décadas. Projeção do estudo “Cenário de Transição Econômica”, elaborado pela BloombergNEF, indica que o país poderá responder por pelo menos um terço das exportações globais de energia limpa até 2050.

A análise, que mapeia fluxos comerciais em 28 regiões e 28 segmentos ligados à transição energética — incluindo veículos elétricos, módulos solares, baterias e metais estratégicos — aponta para uma reconfiguração estrutural do comércio global. Tecnologias de baixo carbono ganham protagonismo, enquanto combustíveis fósseis perdem relevância gradualmente.

Segundo o levantamento, a expansão das exportações chinesas de veículos elétricos e baterias, aliada ao avanço da eletrificação doméstica, pode transformar o déficit comercial energético de US$ 266 bilhões registrado em 2024 em superávit até o fim da década de 2030.

Cenários distintos para EUA e União Europeia

No caso dos Estados Unidos, o estudo aponta manutenção da condição de importador líquido no segmento analisado. Apesar do forte desempenho nas exportações de petróleo e gás, a tendência de estabilização e posterior queda nas vendas externas de combustíveis fósseis deve limitar ganhos comerciais no longo prazo.

Com o avanço da transição energética, o país tende a ampliar as importações de tecnologias limpas, mantendo déficit comercial de energia próximo a US$ 130 bilhões até 2050.

Já a União Europeia deverá reduzir em 29% seu déficit energético até 2035, impulsionada pela diminuição das compras de petróleo bruto e pela expansão das exportações de veículos elétricos. Ainda assim, a concorrência com a China no mercado global de mobilidade elétrica deve permanecer intensa.

Fósseis perdem espaço no comércio internacional

O relatório aponta que o comércio global de combustíveis fósseis deve se manter próximo de US$ 3 trilhões até 2030, antes de iniciar trajetória de queda contínua até meados do século. Mesmo com o crescimento das transações envolvendo gás natural, a redução da demanda por petróleo tende a impactar o valor total negociado.

Em um cenário mais ambicioso, denominado “Net Zero”, que considera políticas capazes de levar o mundo a emissões líquidas zero até 2050, o comércio global de combustíveis fósseis pode recuar para menos de US$ 1 trilhão até 2040.

Tecnologias limpas ampliam participação

O comércio internacional de veículos elétricos e baterias deve alcançar US$ 880 bilhões em 2035, frente aos US$ 234 bilhões registrados em 2024, mais do que triplicando em pouco mais de uma década.

No mesmo horizonte, a negociação global de veículos com motor a combustão interna tende a encolher 39%, atingindo cerca de US$ 340 bilhões em 2035. O cenário central considera continuidade na redução dos custos das tecnologias limpas e ausência de novas políticas climáticas de grande impacto.

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