Relatório revela que apenas 46 países têm planos estruturados para eliminar fósseis

Estudo aponta que menos de um terço dos signatários do Acordo de Paris possui roteiro para descarbonizar a matriz energética.

Relatório revela que apenas 46 países têm planos estruturados para eliminar fósseis
Notícia 10/03/2026 • Internacional

Um relatório internacional divulgado nesta semana mostra que a transição global longe dos combustíveis fósseis ainda está longe de ser consensual: apenas 46 dos 197 países signatários do Acordo de Paris têm planos formais para retirar petróleo, gás e carvão de suas matrizes energéticas. O levantamento foi elaborado pelo IISD, em parceria com organizações como E3G, Ecco, Sefia e o Observatório do Clima.

O estudo revela que, além dos 46 países com planos claros de descarbonização do setor elétrico, apenas mais 11 nações (entre as quais Reino Unido, Noruega, Colômbia e Brasil) discutem medidas para reduzir ou limitar a oferta de combustíveis fósseis. Na prática, isso significa que a maioria dos signatários do acordo climático ainda não formalizou roteiros nacionais que vinculem a queda do uso de combustíveis fósseis à expansão de energias renováveis e à eletrificação econômica.

Os autores do relatório alertam que a ausência de planos estruturados amplia riscos fiscais e a probabilidade de ativos “encalhados” (stranded assets) em países que seguirem ampliando produção de combustíveis sem garantia de demanda futura. Entre as recomendações estão: definição de cronogramas de descomissionamento, políticas de recuperação ambiental para áreas afetadas pela extração e programas de diversificação econômica para regiões dependentes de recursos fósseis.

O tema ganhou urgência diante da recente escalada de preços do petróleo provocada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, o que reacendeu debates sobre segurança energética e volatilidade dos mercados. Em abril, governos e especialistas devem se reunir em Santa Marta para a primeira conferência internacional dedicada especificamente a estratégias de transição energética — encontro que promete discutir formas práticas de alinhar políticas nacionais com metas climáticas baseadas na ciência.

Especialistas em políticas públicas ouvidos pelo relatório defendem que avanços reais dependerão de combinação entre metas ambiciosas, calendário de retirada de combustíveis fósseis e medidas de suporte social e econômico para comunidades afetadas. Isso inclui reformas em subsídios, mecanismos de financiamento para tecnologias limpas e programas de requalificação profissional.

Sem esses elementos coordenados, alertam os pesquisadores, a transição tende a ocorrer de modo fragmentado, com países adotando políticas díspares que podem gerar excedentes de oferta e riscos financeiros. O relatório conclui que, para acelerar a descarbonização em linha com os compromissos do Acordo de Paris, será necessário ampliar o número de estados com roteiros claros e assegurar cooperação internacional para compartilhar recursos técnicos e financeiros.
 

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