Silveira diz que Enel atende índices para renovação da concessão
Ministro afirma que análise da concessão da distribuidora em São Paulo deve seguir critérios técnicos.
Especialistas alertam que o Brasil ainda não possui cadeia estruturada para reciclagem de módulos fotovoltaicos, o que pode gerar impactos ambientais e econômicos.
A energia solar tornou-se símbolo da transição energética no Brasil, mas o crescimento acelerado do setor traz um desafio ainda pouco debatido: o destino dos módulos fotovoltaicos ao fim de sua vida útil. Especialistas alertam que o país ainda não possui uma cadeia estruturada de reciclagem, o que pode gerar impactos ambientais relevantes nas próximas décadas.
Segundo Everton Gois, engenheiro eletricista e fundador da Solar 55, empresa especializada na reciclagem de módulos, o reaproveitamento ainda é incipiente em nível global. Estima-se que apenas cerca de 10% dos painéis sejam efetivamente reciclados, enquanto no Brasil o índice pode acompanhar a média nacional de reciclagem de resíduos sólidos, próxima de 4%.
Dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA) indicam que o Brasil pode acumular entre 3 mil e 8 mil toneladas de resíduos solares até 2030. Em escala mundial, o volume pode atingir 80 milhões de toneladas até 2050. O pico de descarte deve ocorrer entre 2045 e 2055, quando a maior parte dos sistemas atuais atingirá o fim da vida útil.
Atualmente, muitos módulos descartados são tratados como sucata comum. Países da Europa e os Estados Unidos já adotam políticas específicas para o reaproveitamento de equipamentos, incluindo metas rigorosas de reciclagem e responsabilidade dos fabricantes.
Reciclar ou reutilizar?
Embora o reaproveitamento pareça uma alternativa sustentável, ele nem sempre é viável. Danos estruturais, como fissuras no vidro, podem gerar pontos quentes nas células, comprometendo o desempenho e aumentando o risco de incêndio.
Por outro lado, a reciclagem permite recuperar vidro, alumínio, silício e metais condutores, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais e contribuindo para a economia circular.
A experiência internacional demonstra a importância de regulamentações específicas. A diretiva europeia WEEE estabelece metas mínimas de coleta e reciclagem e atribui aos fabricantes a responsabilidade pelo fim da vida útil dos equipamentos.
No Brasil, os módulos podem ser enquadrados como resíduos eletrônicos dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê responsabilidade compartilhada e logística reversa. No entanto, especialistas afirmam que a prática ainda está distante do ideal, e os custos de descarte frequentemente recaem sobre o consumidor final.
Economia circular e oportunidade de mercado
A reciclagem de módulos solares também é vista como uma oportunidade estratégica para o setor energético. A recuperação de materiais reduz a pegada de carbono, estimula a inovação tecnológica e pode gerar novos empregos verdes.
Empresas brasileiras já começam a estruturar essa cadeia, desenvolvendo processos de desmontagem, separação automatizada de materiais e parcerias logísticas para viabilizar a coleta em todo o território nacional.
Além da reciclagem, iniciativas de “segunda vida” permitem redirecionar módulos ainda funcionais para aplicações de menor demanda energética, como eletrificação rural, iluminação pública e projetos sociais.
Especialistas defendem que a destinação correta dos módulos será essencial para garantir a sustentabilidade do setor no longo prazo. Com o amadurecimento do mercado solar, a gestão do ciclo completo dos equipamentos passa a ser tão importante quanto a geração de energia limpa.
Conheça nossa rede de integradores parceiros e encontre a opção ideal para seu projeto solar agora mesmo.
Seja um parceiro
Estamos presentes em todo o Brasil, faça parte de nossa rede ideal de integradores.