Brasil soma 22 pedidos de data centers e vê nova onda de demanda por energia
Projetos já contratados podem multiplicar em mais de 11 vezes a carga ligada a data centers até 2030.
Comitê adota ações preventivas para preservar reservatórios e garantir o abastecimento do sistema elétrico nacional.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) reforçou ações preventivas para assegurar a confiabilidade do fornecimento de energia em 2026, diante de volumes de chuva abaixo da média em importantes bacias hidrográficas do país.
A decisão foi tomada durante a 314ª reunião do colegiado, com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Desde outubro de 2025, o comitê acompanha a evolução das chuvas e dos reservatórios, já prevendo um cenário mais crítico para o período úmido.
Os dados indicam que os armazenamentos equivalentes ao fim de dezembro estavam em 42% no Sudeste/Centro-Oeste, 71% no Sul, 46% no Nordeste e 55% no Norte, resultando em média de 45% no Sistema Interligado Nacional.
Medidas para enfrentar a baixa hidrologia
Entre as ações definidas está a redução da inflexibilidade hidráulica no sistema, permitindo maior controle da geração hidrelétrica e contribuindo para a recuperação dos reservatórios, especialmente na bacia do rio Paraná.
O comitê também recomendou a elaboração de um plano específico para essa bacia, com possibilidade de novas reduções de vazão a partir de março, caso as chuvas permaneçam abaixo do esperado. O plano deverá envolver diferentes órgãos e considerar o término do período de piracema.
O ONS destacou ainda a importância da manutenção da operação da Usina Hidrelétrica Belo Monte conforme o hidrograma vigente, devido ao papel estratégico da usina para o sistema elétrico nacional. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o tema também está sendo acompanhado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Previsões mantêm alerta
A previsão meteorológica apresentada pelo Cemaden indica que as principais bacias geradoras do Sudeste e Centro-Oeste devem continuar recebendo chuvas abaixo da média nas próximas semanas, reforçando a necessidade de medidas preventivas.
Em relação à Energia Natural Afluente (ENA), dezembro registrou índices reduzidos: 71% da média histórica no Sul, 64% no Norte, 42% no Nordeste e 67% no total do sistema.
Medidas emergenciais e modernização do sistema
Durante a reunião, o CMSE reconheceu situação emergencial no distrito de Bailique, no Amapá, onde a perda de 1.400 metros de rede elétrica ameaça o abastecimento. Foi autorizada geração de suporte de até 1 MW por 180 dias enquanto a distribuidora prepara solução definitiva.
Outra decisão foi autorizar o início da desativação das usinas térmicas em Roraima, agora integrado ao sistema nacional. A medida busca reduzir emissões, aumentar a eficiência operacional e alinhar o estado aos padrões de qualidade do restante do país.
Expansão e estabilidade do setor
O setor elétrico encerrou 2025 com expansão significativa: 7.404 MW de nova capacidade instalada, 5.702 km de linhas de transmissão e 11.764 MVA de capacidade de transformação. Apenas em dezembro, foram adicionados 653 MW, com destaque para projetos solares e eólicos na Bahia.
Na comercialização, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou que não houve inadimplência no Mercado de Curto Prazo em novembro, mesmo após o fim das liminares relacionadas ao risco hidrológico, resultado considerado positivo para o avanço do mercado livre.
O CMSE encerrou a reunião reafirmando o monitoramento contínuo das condições hidrológicas e operacionais, com adoção de novas medidas sempre que necessário.
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