Brasil se declara “celeiro solar”, mas cortes de energia e atrasos revelam desafios

Curtailment, uso de termelétricas e atraso em soluções de armazenamento evidenciam dificuldades em Arinos (MG) para alinhar discurso e prática na transição energética.

Brasil se declara “celeiro solar”, mas cortes de energia e atrasos revelam desafios
Notícia 18/11/2025 • Minas Gerais

No dia 4 de junho, durante a inauguração da usina solar de Arinos (MG), o vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou que “o Brasil será um grande celeiro de energia solar”.

Mais de quatro meses depois, o cenário apresenta desafios significativos para o setor. Entre 5 de junho e 22 de outubro, quase 8 GWmed de energia solar centralizada deixaram de ser adicionados ao sistema elétrico nacional, segundo dados do ONS. No acumulado do ano, o volume cortado ultrapassa 12,5 GWmed.

O curtailment — cortes na geração renovável — tem sido justificado por questões operacionais e de segurança do sistema. Apesar disso, usinas termelétricas, mais caras e poluentes, continuam sendo acionadas para atender à demanda.

O CMSE alertou que será necessário despacho “mais intenso” de termelétricas até dezembro nos horários de ponta, enquanto o ONS projetou maior dependência dessas usinas até fevereiro de 2026. O acionamento prolongado mantém há cinco meses as bandeiras tarifárias vermelhas, impactando a conta de luz dos consumidores.

Enquanto isso, o leilão de baterias, apontado como alternativa para reduzir o curtailment e o risco de apagões, ainda não foi realizado.

Debate sobre GD e atuação da ANEEL
Na geração distribuída, o diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, autorizou distribuidoras a cortar geração de sistemas fotovoltaicos em situações de risco. A decisão gerou reação da ABSOLAR, que apontou insegurança jurídica e ausência de respaldo normativo. Parlamentares convocaram o diretor-geral para esclarecimentos, e diretores da própria ANEEL sugerem análise mais cautelosa antes de decisões definitivas.

Entre metas e contradições
Com a COP30 marcada para novembro em Belém (PA), o Brasil busca consolidar sua imagem de líder em energia limpa. Porém, curtailment crescente, permanência de termelétricas e atraso na adoção de soluções de armazenamento evidenciam os desafios do país para alinhar discurso e prática na transição energética.

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