Nordeste perde R$ 18,9 bilhões após desistência de usinas renováveis
Cancelamento de 141 projetos expõe riscos como cortes de geração e falta de transmissão na região.
Entidades do setor solar afirmam que medida de antecipar cobrança do “fio” ameaça direitos adquiridos e confiança de investidores.
Principais entidades do setor de energia solar reagiram à proposta do Ministério da Fazenda de antecipar a cobrança pelo uso da rede elétrica para consumidores que instalaram sistemas fotovoltaicos antes da Lei 14.300/2022, o Marco Legal da geração distribuída (GD).
A medida, apresentada por emenda à MP 1.304/2025, foi considerada um retrocesso jurídico e econômico. Caso avance no Congresso, consumidores com sistemas próprios passariam a pagar gradualmente pelo uso da rede a partir de 2026, com transição até 2029, contrariando o direito de compensação integral de créditos até 2045.
Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, classificou a proposta como parcial e desatualizada, destacando que ignora dados técnicos e econômicos do setor. Ele afirmou que a avaliação de retorno de 48% é infundada e reforçou que a emenda nº 9 do senador Fabiano Contarato corrige problemas nos cortes de grandes usinas, enquanto a emenda nº 355 do deputado Arnaldo Jardim propõe marco legal para armazenamento de energia, trazendo investimentos e flexibilidade ao sistema.
A ABGD definiu a proposta como “grave e injustificada”, ressaltando que a Lei 14.300 garantiu segurança jurídica a consumidores que investiram em GD. A entidade criticou a tentativa de justificar retrocessos com o argumento de “justiça tarifária” e alertou que a medida favoreceria grupos concentrados em detrimento da sociedade.
O INEL reforçou que a GD é um patrimônio do consumidor e que antecipar incentivos compromete previsibilidade, confiança e investimentos privados. Heber Galarce, presidente do instituto, destacou que a geração distribuída contribui para diversificação da matriz, redução de perdas, empregos locais e transição energética, defendendo soluções equilibradas sem retrocessos.
As associações concluem que qualquer reforma no setor elétrico deve ser pautada pelo diálogo, previsibilidade e interesse público, preservando a inovação e democratização do acesso à energia limpa.
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