Brasil soma 22 pedidos de data centers e vê nova onda de demanda por energia
Projetos já contratados podem multiplicar em mais de 11 vezes a carga ligada a data centers até 2030.
Entidade prevê avanço no segmento de geração, transmissão e distribuição e aponta retomada da energia solar apoiada por armazenamento e evolução tecnológica.
O setor eletroeletrônico brasileiro deve apresentar maior dinamismo em 2026, com destaque para o segmento de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD). A ABINEE estima faturamento de R$ 34,9 bilhões no próximo ano, acima dos R$ 31,5 bilhões registrados em 2025 — crescimento nominal de 7% (cerca de 3% descontada a inflação).
Segundo Marcelo Machado, diretor de GTD da entidade, o desempenho estará diretamente ligado ao elevado volume de investimentos em infraestrutura, impulsionado pelos leilões de transmissão já realizados e pelos certames previstos para o próximo ano.
Durante coletiva de imprensa realizada no início de dezembro, Machado destacou que o leilão de transmissão de outubro movimentou cerca de R$ 5,5 bilhões em novos ativos, incluindo linhas e subestações. Para 2026, estão confirmados dois novos leilões: um no primeiro semestre, estimado em R$ 3,5 bilhões, e outro no segundo semestre, com aproximadamente R$ 20 bilhões destinados à integração de fontes renováveis e reforços na rede básica.
O presidente da ABINEE, Humberto Barbato, afirmou que as distribuidoras também devem sustentar um ciclo relevante de investimentos. Segundo ele, ciclos tarifários exigem a incorporação de novos ativos para reconhecimento regulatório, além da crescente necessidade de automação e digitalização das redes.
Barbato também destacou a urgência de tornar o sistema elétrico mais resiliente diante da intensificação de eventos climáticos extremos, que têm causado impactos cada vez mais frequentes no fornecimento de energia.
Retomada da energia solar
No segmento fotovoltaico, Machado reconheceu que 2025 registrou queda significativa na demanda por módulos — próxima de 40% — influenciada por incertezas regulatórias e pela limitação do sistema interligado em absorver excedentes de geração, o que levou o ONS a ampliar cortes de geração em grandes usinas.
Apesar disso, o diretor avalia que o cenário tende a melhorar. Segundo ele, a Lei 15.269 trouxe maior clareza sobre compensações e sobre o papel do armazenamento de energia, criando condições para novos investimentos.
Machado citou ainda a expectativa de um leilão de reserva de capacidade para sistemas de armazenamento em abril de 2026, iniciativa que pode destravar a expansão de grandes usinas solares e da micro e minigeração distribuída.
Barbato acrescentou que a evolução tecnológica e a redução dos preços dos equipamentos também devem impulsionar o mercado. Painéis solares mais potentes e eficientes aumentam a competitividade da fonte e ampliam o interesse dos consumidores.
Medidores inteligentes e abertura do mercado livre
Ao comentar a abertura total do mercado livre de energia prevista para 2028, Machado afirmou que a indústria nacional possui capacidade para atender à demanda por medidores eletrônicos inteligentes.
Segundo ele, os equipamentos produzidos no país atendem às exigências do Inmetro, às especificações da ANEEL e às diretrizes discutidas com o Ministério de Minas e Energia, especialmente no que se refere à digitalização das redes e às tarifas horárias.
A capacidade produtiva atual é estimada em cerca de três vezes a demanda das distribuidoras, indicando que o país poderá atender a entrada de novos consumidores no mercado livre sem gargalos.
O diretor ressaltou que a modernização da medição envolve integração entre hardware e software, sendo essencial para o funcionamento do mercado livre residencial, garantindo precisão, segurança, telemetria e aderência à estrutura tarifária.
A expansão desse novo mercado, concluiu, representa um dos principais vetores de crescimento industrial no curto e médio prazo.
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